sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A Ira que vem do céu (parte II)

Estava muito confortável, proprietário dum sentimento peculiar, misto entre ódio e paz: era um ódio imenso contra tudo, mas com muita naturalidade e legitimidade, de onde provinha a sensação de paz. Pela primeira vez não sentia remorso por odiar o mundo; não carregava mais tristeza alguma.

Depois de ter passado toda a noite observado seu corpo azul e curtindo esse sentimento estranho, teve vontade de mergulhar no céu. Então, esperou o sol nascer e deixar o céu tão azul quanto ele e saiu voando bem alto, perfeitamente camuflado.

Lá de cima via grandes áreas poligonais cinzas, pontilhadas de verde e limitadas por curvas diversas que tentavam forçar uma ordem. Em fluxo constante, aquela célula pulsava e fazia ruído constantemente. Imaginar o que movimentava tão repugnante orgânulo estava o deixando tenso. E ao imaginar que haviam muitos outros como aquele espalhados pela superfície do planeta, contendo tantos microseres os quais detestava, não pode controlar seu ódio e explodiu, direcionando megatons de energia em direção a terra.

Lá de baixo, todos olharam para o céu procurando de onde vinha tamanho estrondo. Viram uma nuvem azul se aproximando velozmente, junto de raios e ondas azuis. Essa grande energia devastou a cidade.

Lá em cima, estava o irado ser azul flutuando sobre a cidade arrasada. Olhou, sentiu-se aliviado e continuou a voar pelo céu. Continuou encontrando cidades e aglomerados, os odiando e se explodindo.

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