segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Sob a Estátua

O homem seguia levando nas costas um suporte de madeira com um grande balde em cada ponta, levando dentro escovas de vários tamanhos. Era escoltado por três soldados que tinham a missão de levá-lo até a Grande Estátua para que ele pudesse limpá-la. Era a missão que aquele homem deveria cumprir para se redimir de seu grande erro: questionar e revoltar-se contra o Poder-Sol.

O homem chegou até a estátua de proporções gigantescas e, olhando para o topo dela, tentava calcular quantas horas levaria para limpá-la sozinho. Pensou que talvez 'hora' não fosse a unidade de tempo mais adequada para fazer as contas... talvez 'dia'. Questionou-se também se era melhor ser expulso de seu domínio do que se humilhar e trabalhar tanto para se redimir de algo que ele nem sequer acreditava ser um erro. Lembrou de sua família e do respeito que toda a vila dedicava a ele, suspirou e resolveu iniciar a missão o quanto antes.

Ao preparar as cordas e ganchos para escalar a estátua - pois de fato era melhor começar a limpeza pelo topo - era lembrado por um dos soldados do que o monumento e a missão simbolizavam. O homem já sabia de cor a história, mas ouviu pacientemente sobre o grupo de humanos que se levantaram contra os poderes no passado e das batalhas que eles travaram contra eles. Contou mais detalhadamente da batalha de um desses humanos contra o Poder-Sol e de como foi dura, mesmo para um poder. "Poder-Sol, para se proteger de uma ofensiva, clonou-se nessa grande estátua no ar. Ela, quando caiu, esmagou o humano que o atacava. Desde então, Poder-Sol lamenta profundamente pelo ódio desses humanos e pela morte que causou contra sua vontade. Ele não mais se apresenta diretamente aos humanos, senão através dos sábios. E foram os sábios que decretaram que todo humano nesse domínio que novamente se rebelar contra o Poder-Sol deveria limpar essa estátua. Assim, enquanto você a limpa, poderá compreender a grandeza do Poder-Sol e a grandeza da maldade em sua mente, a mesma que no passado foi capaz de sujar a alma do Poder-Sol com a morte de um humano."

Ouvindo as últimas palavras do soldado, o homem até sentiu-se desafiado a realizar a tarefa para ver se conseguia entender essa 'grandeza do poder' e a 'grandeza de sua maldade'.

Seriam longos dias de solidão, num trabalho árduo, acampado ao pé da estátua e sempre vigiado por soldados.


Priscila Campos

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Esse desenho foi um presente da minha irmã, futura grande arquiteta, Priscila Campos. O desenho me emocionou! Não só pelo talento dela ou por eu ser apaixonado pelos homenzinhos gordinhos que ela faz em seus croquis, mas percebi no desenho a sintonia entre nós: ela captou a essência do sentimento que derramei no texto e o traduziu em imagem de modo mais do que perfeito. acho que isso é uma manifestação do amor que temos um pelo outro...

Espero, minha irmã, sempre retribuir seu amor e carinho por mim!

3 comentários:

Priscila Campos disse...

Meu irmão

Fiquei muito emocionada por você colocar um desenho meu em seu Blog, valorizando o meu trabalho e pela mensagem que você me dedicou.
Quero que você saiba que para mim você é único no mundo. A sintonia que nos pertence se chama AMOR. Eu te amo muito meu grande amigo!
"Se alguém ama uma flor da qual só existe um exemplar em milhões e milhões de estrelas, isso basta para fazê-lo feliz quando as contempla. Ele pensa: 'Minha flor está lá, em algum lugar...'" (O Pequeno Príncipe - Antoine de Saint-Exupéry)
Parabéns pelo texto, está muito bom, dessa maneira vai acabar sendo autor de ótimos livros.
Um grande abraço de sua irmã ...
Priscila Campos

Jaque disse...

Ai gente, que coisa mais fofa!

Vinícius Linné disse...

belo texto e belo desenho.
Sintônia perfeita.