Nas primeiras transformações, ficava tão maravilhado com a nova forma que os poderes lhe davam que nem se importava com suas peças de roupa que eram rasgadas e queimadas no processo. Mas quando transformar-se para salvar vidas tornou-se algo corriqueiro, era cada vez mais difícil preservar seu guarda-roupa. Primeiramente, porque era complicado prever o momento em que sua ajuda seria requisitada. Além disso, havia ainda a necessidade de manter sua identidade secreta. Às vezes conseguia tirar suas roupas e escondê-las, transformar-se, salvar a cidade ou uma donzela, destransformar-se e vestir-se sem ser flagrado, mas outras vezes era impossível ser ágil e discreto nesse processo.
Como aquela vez em que precisou evitar a batida de um ônibus escolar com um caminhão de combustível no centro da cidade. No meio de tanta gente, ninguém pôde perceber sua transmutação, mas depois de ter salvo as criancinhas (e também o caminhoneiro, mas esse pouco importa), o desgaste forçou-o a voltar à forma humana rapidamente. Caiu nu e atordoado no meio da rua. Por sorte, conseguiu escapar tapando o rosto com um jornal e as vergonhas com a outra mão sem que ainda ninguém o reconhecesse.
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