domingo, 24 de agosto de 2008

O Perfume de Deus

Christian ainda não sabe por que recebeu poderes. Na verdade, em meio a questionamentos sobre ser digno disso, acabou abdicando de ser um herói. Jovem solitário, de posição firme e olhar de indiferença que carregava sempre consigo, teve mais um motivo para se isolar quando começaram a aparecer aquelas marcas azuladas em seus antebraços. Porém, todos esforços para esconder essas marcas e não despertar os curiosos eram em vão, porque delas era constantemente exalada uma fumaça com um esplêndido perfume que não parava de atrair a todos que o sentissem.

Sentiu-se enojado ao ver como as pessoas passaram a se aproximar dele depois que tais poderes se desenvolveram. Senão pela própria admiração que um super-homem causa, atraía também pela sua fragrância, que de tão maravilhosa ficou conhecida como "perfume de Deus". Seu desprezo pela falsa simpatia e até idolatria que induzia contra sua vontade nos outros acabou causando grande tragédia. A primeira vez que usou o poder de modo ofensivo foi para dissipar o contingente de desesperados que, em busca de um deus, perseguiam-no e acabaram acordando sua ira: as marcas em seu braço brilharam em uma fria luz azul, a fumaça e o cheiro sumiram e a única coisa que se pode sentir foi o calor de uma explosão de chamas azuis. Em meio às pessoas desacordadas como se tivessem tido a alma queimada, conseguiu de volta sua solidão - um novo tipo de solidão. A partir daquele momento, a admiração tornou-se medo e o deus virou um demônio.

2 comentários:

marcos assis disse...

hum
interessante hein!
já viu o filme perfume?

Unknown disse...

já. não gostei, mas esse texto é certamente uma influência do filme (mesmo que inconsciente rs)